Itabuna debate políticas públicas para preservar sua memória e proteger o patrimônio cultural

Há cidades que crescem esquecendo de onde vieram. Outras, como Itabuna, compreende que o futuro só se constrói com raízes. Foi com esse tema que o Plenário Raymundo Lima, na Câmara Municipal, se transformou, nesta sexta-feira (24), em um espaço de reflexão sobre memória, identidade e pertencimento.



 

O debate, convocado pelo vereador Clodovil Soares (PL), tratou da criação do Projeto de Lei de Patrimônio Histórico, Cultural e de Tombamento. O encontro reuniu professores, pesquisadores, gestores públicos e representantes de entidades civis em torno de uma pauta urgente: como preservar a história material e imaterial de Itabuna em meio às transformações urbanas e sociais da cidade.

Em sua fala, Clodovil demonstrou sensibilidade e conhecimento sobre o tema:

“Preservar e conservar a imagem da nossa cidade, forjada na opulência do cacau, nas histórias de Jorge Amado e na poesia de Ciro de Matos, é mais do que zelar por tijolos e concreto. É um ato de respeito pelo nosso passado, presente e futuro. O patrimônio é vivo, e sua conservação deve caminhar junto com o desenvolvimento urbano e social”, afirmou o vereador.

A ideia de um Marco Regulatório do Patrimônio Histórico e Cultural busca exatamente isso — garantir políticas permanentes de proteção, com base técnica, pesquisa acadêmica e participação da sociedade.

Durante o encontro, o professor-doutor Luiz Henrique Blume, do Centro de Documentação e Memória da UESC, lembrou que é hora de ampliar a noção de patrimônio.

“O patrimônio histórico não é apenas o prédio, mas também o que ele representa. O Beco do Fuxico, por exemplo, é edificado, mas é também o espaço da Lavagem do Beco, expressão viva da cultura popular”, pontuou.

A secretária de Infraestrutura e Urbanismo, Sônia Fontes, representando o prefeito Augusto Castro, destacou que preservar não é apenas olhar para o passado, mas também cuidar do patrimônio que está sendo construído hoje. “A missão é recuperar áreas degradadas e valorizar o que temos de novo, porque patrimônio também é o que estamos edificando agora”, disse.

A jornalista e cineasta Raquel Rocha, da Academia de Letras de Itabuna (ALITA), trouxe outro olhar: o da história oral. Para ela, “documentários e registros audiovisuais são formas legítimas e poderosas de manter viva a memória da cidade”.

No encerramento, ficou encaminhada a proposta de elaboração de um marco legal de proteção para os sítios e bens históricos de Itabuna, contemplando critérios de tombamento, incentivo à pesquisa e ações educativas que despertem o sentimento de pertencimento na população.

A audiência revelou que Itabuna começa a revisitar seu passado não com nostalgia, mas com consciência de futuro. E isso, por si só, já é um grande avanço.

Fotos: Pedro Augusto / ASCOM CMVI

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