CABRUCA: O futuro do sul da Bahia cresce à sombra das árvores

Nem todo desenvolvimento precisa derrubar árvores. Às vezes, ele nasce justamente da decisão de mantê-las de pé.

Foi esse o tom do lançamento do projeto Conservação da Mata Atlântica por meio do manejo sustentável de paisagens agroflorestais de cacau, realizado nesta quarta-feira (09/04) no Auditório da CEPLAC, em Ilhéus. Um encontro sobre redefinir o futuro de uma região que aprendeu, ao longo do tempo, que produzir e preservar não são caminhos opostos.



O Instituto Biofábrica da Bahia esteve presente. Participa como peça estratégica de uma engrenagem que começa no viveiro, passa pela mão do produtor e chega ao mercado com sustentabilidade que gera renda.

A proposta é simples na ideia, mas potente na prática: fortalecer sistemas agroflorestais como a cabruca, onde o cacau cresce sob a sombra da Mata Atlântica. É economia com identidade e produção com responsabilidade.

Representando a instituição, Valdemir José reforçou um ponto que precisa ser repetido: não existe futuro agrícola sem inovação. E, no caso do cacau, isso começa pela base, mudas de qualidade, resistentes e adaptadas a esse modelo. Produzir mais, sem expandir sobre a floresta, deixou de ser discurso. É estratégia.

E talvez esteja aí o principal movimento: sair da lógica do crescimento predatório para um modelo inteligente, onde tecnologia, capacitação e respeito ao território caminham juntos. A ampliação das capacitações técnicas nos viveiros da Biofábrica sinaliza exatamente isso conhecimento como ferramenta de transformação.

A iniciativa reúne nomes importantes, como Ceplac, Sitawi, FAO, Ministério da Agricultura e Governo Federal. Mas, no fim, quem vai traduzir esse projeto em realidade são os agricultores, as comunidades e a capacidade de conectar discurso com prática.

No sul da Bahia, o cacau sempre contou histórias. Agora, começa a escrever um novo capítulo de uma economia que cresce sem apagar a floresta.

Fotos: Manu Berbert

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