ITABUNA: A fotografia do capital político depois das urnas de 2026

O resultado da eleição de 2026 deixou uma fotografia interessante da política de Itabuna. Mais do que saber quem ganhou ou perdeu, a urna permite medir quem ampliou capital político.

O grande nome da eleição foi Andréa Castro (PSD). Foram 36.355 votos em Itabuna, nada menos que 34,4% dos votos válidos para deputado estadual. No estado, chegou a 86.973 votos e foi eleita para a Assembleia Legislativa da Bahia.


Foram 36.355 votos em Itabuna, nada menos que 34,4% dos votos válidos para deputado estadual.

É uma votação que não pode ser tratada apenas como resultado de uma máquina política. Existiu a força da aliança com o Governo do Estado e estrutura, claro. Mas eleição também é capacidade de transformar a trajetória política em votos — e isso Andréa conseguiu fazer.

E aqui há uma questão política que merece atenção: o presidente da Câmara, Manoel Porfírio (PT), colocou seu nome e sua estrutura política à disposição de Andréa e do deputado federal Joseildo Ramos (PT). Com o apoio de Manoel, Joseildo recebeu 5.889 votos em Itabuna e teve o mandato renovado.

Transferência de votos é uma das coisas mais difíceis da política.

O eleitor pode gostar de Manoel e não conhecer Joseildo. Por isso, quando uma liderança consegue levar sua base para um nome, existe ali um ativo político valioso e o desempenho revela que Manoel transformou confiança pessoal em voto transferido.


Fotos: Hansley Neves

Do outro lado está Pancadinha (PDT). Seus 10.164 votos em Itabuna dão a medida do que ele representa politicamente para o eleitorado local. Foi o segundo mais votado para deputado estadual na cidade, mas terminou como suplente.

Numa eleição como esta, o candidato precisa construir votos para além de sua base principal. É justamente aí que a força local precisa se transformar e ampliar regionalmente.

No outro campo, Isaac Nery (MDB) também deixa uma questão importante desta eleição. Candidato a deputado federal, foi o mais votado em Itabuna, com 9.056 votos, mas não conseguiu uma vaga na Câmara dos Deputados.

Já o candidato a deputado estadual, Chico França (PL) obteve 3.202 votos em Itabuna, e também ficou pelo caminho. O resultado revela que seu posicionamento não se converteu em densidade eleitoral.

A eleição, portanto, não produziu apenas vencedores e derrotados. Produziu sinais e o principal deles é que Itabuna segue como um importante centro de influência política na Bahia.


Andreyver Lima é jornalista, analista político e especialista em comunicação pública.

Compartilhe isso:

Deixe um comentário