Na política, algumas mudanças no Diário Oficial, dizem muito sobre o momento de uma administração. A ida de Zé Alberto (PSB) para a Secretaria Municipal de Agricultura e Meio Ambiente de Itabuna é uma dessas movimentações.
O vereador deixa temporariamente o plenário e retorna ao Executivo, ambiente que já conhece. Antes de chegar à Câmara, o advogado José Alberto de Lima Filho já havia passado pela Secretaria de Gestão e Inovação e, posteriormente, comandado a Secretaria de Planejamento. Em março de 2023, foi nomeado para o Planejamento e permaneceu pouco mais de um ano à frente da pasta. Em 2024, participou da apresentação do Anuário Estatístico de Itabuna, trabalho que reuniu informações sobre economia, território, agricultura, segurança e outros indicadores do município.
E aqui está a primeira questão que merece atenção: Zé Alberto sabe como funciona a máquina pública. O que muda agora é o objetivo da gestão.
A SEAGRIMA não é uma secretaria simples, já que o município está inserido em uma região cuja economia e identidade carregam forte ligação com o cacau. Ao mesmo tempo, enfrenta desafios urbanos e ambientais. A água, o Rio Cachoeira, a recuperação das árvores, a regularização fundiária, as estradas vicinais, a agricultura familiar e o escoamento da produção fazem parte de uma mesma conversa.
Zé Alberto é próximo dessas discussões. Em 2025, como vereador, presidiu uma sessão especial na Câmara sobre a recuperação do Rio Cachoeira e defendeu a necessidade de buscar soluções técnicas e financeiras para a despoluição da bacia. No mesmo ano, participou de debates sobre regularização fundiária, crédito e infraestrutura para comunidades rurais.
Zé tem uma trajetória que combina Executivo, Legislativo e uma passagem pelo debate eleitoral estadual. Em 2022, disputou uma vaga de deputado estadual pelo PSB e terminou como suplente, com 41.798 votos. Dois anos depois, voltou à disputa municipal e foi eleito vereador de Itabuna com 1.527 votos.
Há ainda um componente político inevitável.
No Legislativo, o vereador fiscaliza, cobra, propõe e vota. No Executivo, a cobrança ganha outro peso: é preciso transformar planejamento em execução e discurso em política pública.